Por Que os Líderes Mais Competentes São os Mais Atingidos?
Ontem começamos a gravar o VC_Líder, um projeto que eu queria fazer há anos. Ele nasce com um propósito bem definido, fazer diferença de verdade na vida de líderes brasileiros, a partir de um método que organizei em duas décadas de RH, o M.A.P.A.
O primeiro módulo do curso fala sobre a mentalidade do líder. São os recursos pra pensar de forma organizada, com atitudes conscientes, antes de qualquer decisão importante. E a primeira aula gravada desse módulo trata de um tema que aparece, em algum grau, em praticamente todos os líderes que já passaram pela minha mesa nos últimos 20 anos: a síndrome do impostor.
O que é a síndrome do impostor na liderança
A síndrome do impostor na liderança é a voz interna que diz "eu não mereço estar aqui, a qualquer momento vão descobrir", mesmo quando os resultados mostram exatamente o contrário.
Ela não aparece só em quem está começando. Aparece, com frequência ainda maior, em quem já chegou longe.
Por que os líderes mais competentes sentem isso com mais força
Aqui está o ponto que pouca gente explica: essa voz não tem relação com competência real.
Ela mede a distância entre como você se vê e o que os seus resultados de fato mostram. Quanto mais você cresce, maior essa distância pode ficar, se ninguém trabalha pra fechar essa conta.
Por isso, líderes recém promovidos, especialistas reconhecidos e executivos com históricos sólidos costumam sentir isso com mais intensidade, não com menos.
Os sinais de que essa voz está no comando
Alguns sinais aparecem com frequência em líderes que venho acompanhando.
- Em reuniões de nível mais alto, a pessoa prefere ficar quieta. Por dentro, a leitura é "eu não tenho nada relevante pra acrescentar aqui".
- Ela se prepara o triplo do que os colegas preparam, e ainda sai da reunião achando que não foi suficiente.
- Recebe um elogio em público e a resposta automática é minimizar: "foi sorte", "foi o time", "não fui eu".
- Olha pros outros líderes da sala e acredita que eles têm algo que ela não tem.
O erro mais comum ao lidar com essa voz
A reação mais comum é tentar calar essa voz. Discutir com ela. Provar pra ela que está errada.
O problema é que, na maioria dos casos, essa voz não vai embora. Ela tende a ser companheira de longo prazo, ao longo de toda a carreira.
O trabalho não é vencer essa voz. É aprender a agir com ela presente.
O reenquadramento em 3 passos
No método M.A.P.A., a ferramenta pra lidar com a síndrome do impostor na liderança segue uma lógica simples.
Uma diretora jurídica que acompanhei, recém promovida, viveu isso na primeira reunião do comitê executivo. Ficou em silêncio do início ao fim e saiu de lá com a sensação de ter falhado. A voz dizia que ela não tinha nada de valor pra acrescentar. Os dados diziam outra coisa, ela tinha levado três pontos preparados.
O reenquadramento foi simples: "a voz vai continuar falando, eu vou falar junto". Na reunião seguinte, ela abriu a discussão nos primeiros dez minutos. O CEO citou o ponto dela no fechamento.
Por dentro do VC_Líder e do método M.A.P.A.
Essa é a primeira aula gravada do módulo de mentalidade do VC_Líder, e resume bem o espírito do projeto inteiro.
VC_Líder não é teoria de palco. É um método construído a partir de duas décadas nas áreas de RH e de Enfermagem, áreas onde agir sob pressão e cuidar de gente em momentos vulneráveis faz parte do trabalho todos os dias.
Se essa voz é familiar pra você, ela não significa que você não é capaz. Significa que você está num lugar que importa.
Sobre a autora
Juliene Salvan é Diretora de RH com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de lideranças executivas, podcaster do Passa lá no RH (BandJornalismo) e criadora do Método M.A.P.A. | Mentalidade, Ação, Pessoas e Aprendizado Contínuo.



